Resultados da sua pesquisa

Moradores denunciam golpe em imóvel na planta

Postado por MS Imoveis em 8 de novembro de 2017
| 0

PINHEIRAL

“Eu queria casar e constituir uma família”. “Eu queria sair do aluguel”. “Eu queria morar em um lugar melhor e maior”. “Eu queria ter a minha casa própria”. “Eu queria… eu queria, queria…”. Essas explanações que abrem este conteúdo não são apenas relatos, mas sim sonhos de vários moradores da região que fizeram contato com a equipe do jornal A VOZ DA CIDADE nas últimas semanas para denunciar que foram vitimas de um golpe em um empreendimento que foi divulgado como o que seria um dos maiores do Sul do Estado: o condomínio Village do Sol, na entrada de Pinheiral (Avenida Nilton Penna Botelho). Quase 600 pessoas foram lesadas, segundo advogados da região, e o golpe ficou entorno de mais de R$ 30 milhões, mas acredita-se que a intenção é que passasse dos R$ 72 milhões.

Nossa equipe recebeu várias reclamações, entre elas a do morador de Volta Redonda, Gustavo Mendes da Silva, de 31 anos. Ele, que trabalha na CSN, resolveu dar uma entrada no empreendimento para ter um lugar para constituir família após o casamento, que acabou sendo adiado por conta da entrada do imóvel. “Ou era a entrada ou pagava a festa. Acabamos dando de entrada, que foram divididas em duas vezes de quase R$ 15 mil cada, isso no final de 2015 e início de 2016. As demais seriam pagas parceladas”, contou o jovem. “Até hoje não casei. Continuamos noivos, mas fiquei sem o dinheiro para dar continuidade ao planejado. Isso já gerou muito desentendimento entre as famílias, brigas, mas espero conseguir reaver essa grana”, contou Gustavo, que questionado se ele aceitaria voltar a pagar o imóvel caso a obra voltasse, disse que não. “Quero meu dinheiro”, afirmou.

Outra pessoa que nos procurou foi Aline Mendes Amantes, de 33 anos. Ela é professora, moradora também de Volta Redonda, e seu prejuízo foi ainda maior. Pagou R$ 165 mil à vista. “Eu fiz essa compra em 2014 e a previsão da obra era de ser concluída em 2016. Nem a terraplanagem foi feita e a obra foi bloqueada pelo Ministério Público. Antes disso, eles diziam que o atraso era por conta de problemas ambientais com o Instituto Nacional do Meio Ambiente”, disse a professora. “Não sou casada, mas ainda pretendo constituir uma família e ter um ambiente bom e agradável para viver. Não tinha esse dinheiro, tive que pegar emprestado com o meu pai, que, aliás, não foi pago. Hoje vivo em um apartamento barato, estilo Minha Casa Minha Vida, e não tenho nem ideia se um dia vou conseguir reaver esse dinheiro”, frisou Aline.

Na tarde de ontem, nossa equipe conversou com os advogados Hairon Ribeiro e Bruno Rezende, do escritório Rezende Ribeiro Advogados. Segundo eles, a pretensão dos estelionatários era aplicar um golpe de mais de R$ 72 milhões. “O que sabemos hoje é que a Qualix (que são duas), imobiliária e empreendimento, ficou com 10% do valor, que foi cerca de R$ 7,7 milhões. Já a Stylus Engenharia (empreiteira), com cerca de R$ 25 milhões”, afirmou o Dr. Hairon, que hoje junto com o Dr. Bruno possuem 104 contratos de pessoas que foram vítimas do mesmo golpe (sendo o total 590). “Isso não é coisa da minha cabeça. Esses dados estão todos documentados”, completou.

Segundo os advogados, algumas pessoas chegaram a comprar mais de uma casa, sendo em um caso, uma mulher (que vive de aluguel), comprou 20. Porém esse é um caso isolado. Em sua maioria, são pessoas humildes, que juntaram o dinheiro para conseguir realizar o sonho de sair do aluguel, de depender dos outros, ter algo seu. “Tenho caso de gente que se separou por causa disso. Um cliente que teve que morar com a sogra e a mulher. O casamento depois acabou, não dando mais certo. Uma senhora que vende queijo na rua, que há anos vem juntando uma grana para poder ter a sua casa, e que nem sabe se vai conseguir mais juntar esse dinheiro. Entre tantos outros”, disse Hairon.

Ele explica que no início, muitas pessoas acreditavam que a obra ia sair do papel. Que na época da divulgação do empreendimento, que teve apoio até político, até pedras preciosas foram mencionadas para ajudar na realização da obra. “Porém, conforme o tempo foi passando, as pessoas foram começando a desacreditar naquela novela toda que eles estavam fazendo, vendo que tudo aquilo não passava de um golpe”, comentou o advogado. “Na propaganda, eles diziam que iriam começar a obra em abril de 2014 e entregariam em maio de 2016. Teve até lançamento da pedra fundamental, que teve Deus citado como convidado de honra. Na época, contaram uma historia triste, dizendo que estavam com a licença em mãos e que iriam correr com a obra”, lembrou Dr. Hairon.

Questionado sobre o que as vítimas do golpe esperam hoje e como está o processo, ele explica que o terreno já foi bloqueado e o penhora on line já foi autorizado pelo judiciário; a Estylos nem contesta mais, nem vai em audiência. Protestado se ele acredita que essas pessoas vão reaver o dinheiro todo, ele explica: “Impossível. Infelizmente. Falamos (clientes) abertamente sobre isso. Não vou comentar o que eles querem ouvir, e sim a realidade do processo. Qual é o próximo passo e o último passo: é o terreno está bloqueado, está indisponível. Daqui uns anos, leiloa-se o terreno e com o valor arrecadado, se paga os credores. Mais o terreno não vale a metade desses R$ 32 milhões. Qualquer bem quando vai a leilão, nunca vai é arrematado no valor de mercado, é sempre abaixo”, finalizou o advogado, que está disponível para contato caso alguém tenha sido lesado, pelo número (24) 3337-7803.

A equipe do A VOZ DA CIDADE tentou contato ontem com a Qualix e Stylus Engenharia, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta edição.

O CONDOMÍNIO

No anúncio, a empresa vendedora informava que o empreendimento ocuparia um terreno de 350 mil m². A proposta era oferecer residência, lazer e trabalho em um ambiente integrado à natureza, onde os moradores poderiam contar com estação própria de tratamento de esgoto e sistema de reaproveitamento de água.

Além disso, um dos diferenciais seria a construção do Centro Comercial, que prometia suprir todas as necessidades dos moradores (instalação de bancos, agências de veículos, mercados, padarias e academias. Nas sobrelojas, fixação de bares, restaurantes, escritórios, pet shops, consultórios, boutiques e salões de beleza).

DIVERSÃO E PRATICIDADE?

A estrutura estratégica do Village do Sol também prometia integrar diversas áreas destinadas ao lazer, como: Salão de festas, Saunas (seca e a vapor), Piscinas (adulto e infantil), Churrasqueiras, Mesas e quiosques, Parque infantil, Quadra poliesportiva, Campo gramado de Futebol Society, Play Dog (cercadinho para cães), Bosque do Sol (área verde preservada)
e pista de caminhada.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.

  • Busca Avançada

    R$ 0 a R$ 1,500,000

    Mais opções de busca